VOCÊ SABE O QUE É UM BANCO DE ALIMENTOS?
FEV/2002
As informações que prestamos a seguir formularam-se a partir da série de ligações, direcionadas ao Banco, acerca de como elaborar um banco de alimentos.
Diversas ligações foram recebidas, inclusive, e principalmente, procedentes de outros estados, com vistas à aquisição do “know-how”.
Em primeiro lugar, e como não podemos deixar de registrar, estes contatos servem como instrumento de aferição do alcance que o Programa tem atingido em nível nacional, e do interesse que este tipo de serviço vem despertando nas pessoas que localizam-se em ambos os lados da “zona fronteiriça”, por assim denominarmos o Banco de Alimentos, se supusermos que, de um lado, estão os necessitados e, do outro, os conscientes de seu papel social que podem colaborar. Ligando os dois lados, o MEIO, que serve de ponte para o fim do desperdício e da fome: o Banco Rio de Alimentos, cujas premissas, conceitos e organização podem e devem ser divulgados e proliferados com vistas ao combate dessa doença nacional, tão bem enfocada, recentemente, pela revista VEJA, de 23/01/2002.
Quando foi iniciada esta empreitada, havia uma pergunta no ar: “Mas o que é, exatamente, um banco de alimentos?”
O conceito era bem claro: recolher onde sobra e levar para onde falta. Mas o “como” foi se delineando a cada passo.
Se o conceito é buscar onde sobra para abastecer onde falta, a primeira providência foi a de identificar os dois lados da moeda, ou seja, quem pode doar e quem precisa receber. Como uma coisa está direta e incondicionalmente ligada à outra, o primeiro passo foi o contato com empresas do ramo alimentício, no sentido de que os excedentes de produção, os produtos que estivessem fora do padrão de comercialização e as mercadorias com validade próxima à data de expiração, pudessem ser direcionados ao Banco, construindo-se, desta forma, o primeiro pilar de sustentação do Banco: o combate ao DESPERDÍCIO.
A este respeito, algumas considerações podem ser tecidas, se observarmos que aquele tipo de alimento teria um triste destino: a eliminação. Através de incineradores públicos ou aterros sanitários, aqueles alimentos, ainda próprios para o consumo, seriam sumariamente destruídos.
Esta triste constatação, de alguma forma, veio valorizar a nossa “moeda”, quando percebemos que, exatamente ali, na destruição, existia um campo muito fértil para barganha. Assim, começamos a oferecer a contra-partida que nos diferenciaria daquela mera condição de aguardo com o “pires na mão”.
Quais seriam, então, estas contra-partidas?
Em vez de simplesmente sairmos em busca da doação, passamos a oferecer alguns pequenos benefícios que poderiam fomentar as doações. Deu certo! Mais do que isso, deu muito certo !!!
Através da doação, o empresário, além de exercer sua cidadania, estaria (a) cortando ônus com eliminação de alimentos e (b) respectivo transporte para este fim, já que o Banco faz o recolhimento dos gêneros doados no local apontado pelo doador; (c) estaria liberando espaço nas suas prateleiras; (d) agregando valor social à sua marca, o que vem sendo muito valorizado pelo consumidor atualmente, podendo, ainda, (d) veicular a sua logomarca no Portal www.bancoriodealimentos.com.br, bem como nos relatórios, informativos e impressos do Programa e, além disso tudo, (f) contribuir com o desenvolvimento do país, ajudando-o a deixar de ser o país do desperdício.
Esta troca consolidou importantes parcerias dentro daquele antigo e tão eficaz princípio do “uma mão lava a outra”.
Assim, com as mãos e a alma lavadas, erguemos o primeiro sustentáculo do Banco, garantindo o imprescindível à sobrevivência daquele que se localiza do outro lado da moeda.
O Outro Lado da Moeda
Com a conquista de alguns doadores, iniciou-se a visitação às instituições assistenciais que se adequassem aos critérios do Banco: possuir as condições básicas para recepção e preparação do alimento a ser servido diretamente ao necessitado.
Ficando patente, então, que, para se credenciar no Banco, é necessário que a instituição possua infra-estrutura mínima que lhe permita receber, acondicionar e preparar o alimento que deverá sair do Banco para o prato do assistido, não fazendo parte de nossos critérios o atendimento a programas de distribuição de cestas básicas.
Com o cadastramento das instituições, estabeleceu-se, de forma programada e sistemática, o fornecimento do que estava sendo recebido.
Assim, foi erguido o segundo pilar de SUSTENTAÇÃO (devendo esta palavra ser compreendida em suas diversas acepções): o combate à FOME, que somente pôde ser levantado, após o primeiro e fundamental pilar ter sido construído.
É sobre estes dois pilares, combate ao DESPERDÍCIO e à FOME, que o Programa se sustenta, tendo sustentado, diariamente, mais de 5.000 pessoas durante o ano de 2001, ajudando, desta forma, a evitar o desperdício, atenuando a fome em nosso estado.
A Moeda
Iniciaram-se, então, as atividades do Banco Rio de Alimentos, com sua única moeda, a da fraternidade, composta pelos seus dois lados: o dos que têm e podem doar, e o dos que não têm e estão ávidos por receber.
É esta moeda que, apesar de não ter valor monetário, torna-se cada vez mais forte no mundo. E isto pode ser constatado através das diversas iniciativas similares que despontam, a cada dia, de Norte a Sul do nosso país.
É assim que se faz um banco de alimentos: com transparência, seriedade e, acima de tudo, muito trabalho no sentido de unir os dois lados de uma MESMA moeda.