DE JOÃOZINHO TRINTA A LAO-TSÉ... QUANTA COISA DÁ PARA COMER!
SET/2001
“Tão é a fonte do profundo silêncio que o uso jamais desgasta. É como uma vacuidade, origem de todas as plenitudes do mundo”.
Lao-tsé eternizou neste aforismo um de seus mais profundos pensamentos, que nos remete, de alguma forma, ao “luxo e o lixo” de Joãozinho Trinta. Como é que do “lixo” pode sair tanta coisa boa, assim como do silêncio saem todas as plenitudes do mundo! Quanta coisa podemos retirar do nada, ou do que viraria nada, ou, pior ainda, do que está predestinado a se transformar em nada, enquanto há tanta gente de saco cheio de ficar com o saco vazio.
Que tristeza imaginarmos e, pior, constatarmos, vermos de perto quanta coisa está predestinada a virar nada, e quanta coisa boa para consumo, produtos que estão mais para luxo do que para resíduo, alimentos que poderiam, perfeita e tranqüilamente, estar preenchendo o buraco negro existente na barriga das 3 milhões de crianças brasileiras que estão fadadas a preencherem outro buraco negro por causa de doenças causadas pela desnutrição.
Mas pior, pior mesmo de tudo, é ainda precisarmos “brigar” tanto para que o que está predestinado ao lixo, ao lixão, aos aterros sanitários e aos incineradores possa se transformar no que, para muitos, será um luxo jamais visto.
Então viva o filósofo, viva a plenitude, viva a festa, viva o carnaval, viva o Joãozinho, mas também o João, a Maria, o Zezinho, a Mariazinha, que não precisam de luxo, mas que não podem viver de barriga vazia. Viva iniciativas como a do Sesc Rio com o Banco Rio de Alimentos, que ajudam a transformar a realidade nua e crua em vestida e cozida... cozida e sobre a mesa de quem precisa. Viva o doador! Mas VIVA, sobretudo, quem ia morrer de fome.