BANCO DE ALIMENTOS: DE ONDE VEM ESSA IDÉIA?

 

MAR/2001

 

Há mais de 30 anos, um homem assistia, em um centro de renovação franciscano, a um filme sobre os níveis de pobreza nos países de terceiro mundo. Não foi tanto o horror das imagens que o perturbou, mas a passividade e indiferença das pessoas que assistiam às cenas. Hoje, após árduo trabalho e dedicação à causa da fome, John van Hengel e suas idéias estão alcançando as mais longínquas esquinas do Planeta, ajudando as pessoas que necessitam.

 

O Banco de Alimentos de St. Mary, localizado em Phoenix, Arizona, nos Estados Unidos, ostenta o honorável título de Primeiro Banco de Alimentos do Mundo.

 

Tudo começou quando van Hengel, nativo de Winsconsin, mudou-se para o Arizona. Lá, ele voluntariou-se no Programa São Vicente de Paulo, onde permaneceu como voluntário por dois anos, organizando atividades de recolhimento de alimentos para suprir as necessidades dos que precisavam. O conceito era bastante simples – muitas pessoas estão famintas enquanto outras dispõem de alimentos em abundância. Por que não construir uma ponte entre elas?

 

Com a formulação desse conceito em sua mente, van Hengel decidiu montar a sua própria legião de voluntários para levar às pessoas necessitadas alimentos recolhidos no comércio local. No início, van Hengel e seu grupo levavam os alimentos, mas logo perceberam que esta tarefa seria impossível dada a quantidade recebida. O trabalho foi crescendo tanto que houve a necessidade de se estabelecerem em algum lugar onde os alimentos pudessem ser selecionados e arrumados em prateleiras e onde as instituições pudessem buscá-los.

 

Em 1967 - com a ajuda do padre Ronald Colloty, da Paróquia de St Mary, que cedeu, para o trabalho de van Hengel, um dos prédios abandonados pertencentes àquela Paróquia – nascia o primeiro banco de alimentos do mundo, o qual fora batizado de Banco de Alimentos de St. Mary, em homenagem à Paróquia de mesmo nome.

Eles começaram pedindo doação de alimentos do comércio local. Contudo, as quantidades doadas foram crescendo de acordo com o aumento das instituições assistidas. Novas necessidades geraram novos programas assistenciais. Em 1971, foi lançado o Programa “Caixa de Alimentos Emergenciais”.

É claro que as necessidades das pessoas que passam fome não se restringiam a Phoenix, logo surgiram bancos satélites pelas redondezas. Muitas associações de outros estados foram visitar o Banco de St. Mary para ver como funcionava. Iniciaram-se, desta forma, as atividades de novos bancos em San Diego, San Jose, Portland e Seattle, também nos moldes do de St. Mary, espalhando-se mais tarde pelo país – Chicago, Detroit, Cleveland e Nova Iorque.

 

 

 

Um velho amigo de Hengel, Bob Mccarty, naquele mesmo ano de 1971, levou o modelo para o Canadá, onde bancos de alimentos prosperaram em todas as províncias canadenses. A idéia ganha o mundo!

Em 1984, Francis Lopes, outro amigo de van Hengel, que havia trabalhado como voluntário num banco do Canadá, deu início às atividades do primeiro banco de alimentos da Europa, na França. Hoje, aquele país possui mais de 70 bancos que floresceram a partir do princípio básico de John van Hengel, “lutar contra o desperdício para alimentar os que necessitam”.

Logo após a idéia ter se espalhado pela Bélgica e Itália, em 1986, foi criada a FEBA, Federação Européia de Bancos de Alimentos, com o propósito de criar mais bancos pela Europa. Nos anos seguintes, novos bancos foram estabelecidos na Espanha, Grécia, Irlanda e Alemanha.

Ainda em 1986, van Hengel e sua legião criaram o Serviço Food Banking Inc. É claro que, com a indústria de bancos de alimentos crescendo globalmente, o objetivo desse serviço era o de passar o know-how para outros países, ensinando-lhes como usar suas próprias fontes para alimentar seus necessitados.

Uma das razões por que John van Hengel é tão bem sucedido em ajudar outros países a iniciar atividades de bancos de alimentos reside no fato de que ele nunca nutriu interesse em “controlar” os bancos do mundo. Ele é muito mais feliz como consultor e suas palavras de conselho são sempre, “Comece devagar, gaste o tempo necessário ao crescimento e você será um sucesso!” Obviamente, estas palavras de sabedoria são ouvidas mundo a fora.

Não apenas são numerosos os bancos de alimentos na Europa e Estados Unidos, como eles também existem na Austrália, Reino Unido e México. De lugares tão diferentes quanto a Índia e Israel a perspicácia e o engenho de John van Hengel podem ser contemplados. Do mais humilde começo, van Hengel elevou, a níveis internacionais, o simples conceito de reduzir o desperdício para alimentar quem precisa. Com sua determinação, ele poderia conseguir sucesso em qualquer negócio que perseguisse, mas ele escolheu a mais significativa ventura de todas......alimentar os famintos. Hoje, tão modesto quanto há 30 anos, ele vive de doações, mantém-se com roupas e alimentos doados e quando lhe perguntam o que o levou a fazer este tipo de trabalho não remunerado por todos estes anos, ele simplesmente responde, “a necessidade de ser necessário. Um homem não é nada se ele não é necessário”.

 

 

 

Do original, por Amanda Marsek, “Where in the World is John Van Hengel?”